Habitação Unifamiliar de Interesse Social

No desenvolvimento de uma proposta para habitação de interesse social, vários conceitos passam a ser questionados. O que é uma construção sustentável? O uso de mão de obra e materiais locais é frequentemente utilizado como argumento para a obra sustentável, mas não será mais ecologicamente correta a obra em que as peças já chegam pré-moldadas no canteiro, aumentando a produtividade e reduzindo o nível de resíduos? E o uso de mão de obra especializada não seria uma maneira de valorizar o trabalho de quem atua como trabalhador braçal no canteiro de obras, cargo geralmente explorado por gerar uma grande quantidade de mais-valia para o proprietário do sistema.

O uso de pré-moldados se estabelece assim como o principal conceito desse projeto, gerando com isso uma série de consequências formais e soluções de ambientes. A modulação começa na planta, seguindo um grid de 50×50, o que divide as paredes em placas de 1×2,8m. A placa cimentícia é um material versátil e com ótimo custo benefício. O uso de elementos vazados de concreto ajuda no conforto ambiental, pois permite a ventilação e promove o sombreamento.

Como a estrutura atua independentemente dos fechamentos em alvenaria, a planta é livre e flexível, permitindo tanto a redivisão dos ambientes quanto sua expansão, articulando junções com novos módulos de cobertura.

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Habitação Unifamiliar e Tecnologia Sustentável


Complexo Parque Leste Universitário

 

Ganhador do terceiro lugar no Concurso Internacional de Ideias Para Estudantes de Arquitetura, realizado na 9a Bienal de Arquitura de São Paulo.

 
A proposta busca a interação de um terreno com uma área verde e pública semi-utilizada na região central de Goiânia, com o desafio de garantir inclusão social e direito à cidade num complexo arquitetônico de habitações coletivas, serviços, comércios e equipamentos públicos. Assim, o conjunto edificado estabelece grandes vínculos de convivência com a cidade através de generosas entradas, permeabilidade e espaços públicos favoráveis, ampliando ainda mais as fronteiras do habitar a cidade.

 

Complexo Parque Leste Universitário_Bienal

 


Complexo Parque Leste Universitário – Partido

O direito a cidade inclui-se aos direitos humanos, uma vez que sua existência promove os demais e só pode ser formulado como direito a vida urbana, transformada e renovada.

Segundo Lefebvre, muito estranhamente, o direito a natureza entrou na prática social há alguns anos em favor dos lazeres. A natureza entra para o valor de troca e para a mercadoria. A reivindicação da natureza, o desejo de aproveitar dela são desvios do direito à cidade. Esta última reivindicação se anuncia indiretamente, como tendência de fugir à cidade deteriorada e não renovada, à vida urbana alienada antes de existir “realmente”.

A área possui uma densidade arbórea de grande potencial para a criação de um novo equipamento urbano pronto para agregar a comunidade e valorizar ainda mais a característica de bairro na região.

Além disso a proximidade da área com um dos principais equipamentos de distribuição de linhas do transporte público (Terminal da Bíblia) contribuem para uma apropriação mais inteligente de um terreno com imenso potencial.

Através de discussões a respeito do tema é possível detectar as seguintes perspectivas de atuação do projeto sobre seus usuários

* interação com a cidade;
* fluidez e diferenciada articulação dos espaços;
* permeabilidade visual e possível integração com o contexto inserido;
* incorporação do programa com as diversas formas de morar;
* flexibilidade dos espaços;
* adesão de serviços e comércios que potencializam o uso pela comunidade e a qualidade do entorno.
* equipamentos internos de uso coletivo que se distribuem em todo o corpo do edifício e com isso promovem mais integração e socialização.

A zona de convívio e lazer esteve relacionada a intenção de favorecer diferentes tipos de incidência solar em diferentes períodos do dia, de modo a possibilitar apropriações para diversos fins.

A área potencial para implantar a edificação resultou da análise da orientação solar (eixo longitudinal voltado para norte e sul) e da permeabilidade por pilotis para todas as areas e convívio e lazer.

E por fim, como principio de estudo para adequação da área de estacionamento, foi localizada a região do terreno que possui menor densidade arbórea.

O terreno disposto de todas as suas relações com o entorno e todas as características do lugar, influenciam a setorização a priori das principais zonas articuladoras do projeto e que inicializam novas discussões espaciais.

No caso foi disposto que a área comercial destacada em azul abrigaria melhor a parte de comercio e serviço do programa estabelecido devido seu contato direto com a rua e a localização que favorece diferentes ângulos de visão.


Herzog & de Meuron – Rue des Suisses

Este é o primeiro projeto em Paris do escritório de Herzog/De Meuron numa localização incomum na 14th Arrondisement não muito distante da Gare Montparnesse. O resultado de uma competição de 1966 feita pela Agência pública de habitação Régie Immobilière de la Paris – RVIP -, o projeto foi construído em três células interconectadas que incluem ambientes  internos nos dois lados de um grande bloco perimetral de frente a um estreito lote no interior do bloco. Os edifícios externos foram construídos com uma altura de 7 pavimentos, enquanto que os interiors tem apenas 3 pavimentos de altura. A entrada para o interior do bloco é feita por baixo dos prédios de enchimento. Além da diferença de altura de 4 andares entre os edifícios, o bloco longo e estreito foi projetado como um elemento independente num jardim longo e estreito e está protegido com persianas de madeira curva que estão em nítido contraste com as cortinas dobráveis ​​de metal que cobrem as fachadas dos os prédios da rua. Os três edifícios que contêm cerca de 60 apartamentos e estacionamento subterrâneo para cerca de 50 carros que estão abaixo do bloco de enchimento na Rue des Suisses e se estende para o pátio por baixo do edifício interior.

O bloco maior de frente à Rue des Suisses tem vários apartamentos por pavimento que ficam frente à rua ou frente ao jardim enquanto que o bloco estreito na Rue Jonquoy tem apenas um apartamento por andar com vista tanto para a rua quanto o jardim.A construção longa e estreita é também um ponto de acesso com várias entradas que abastecem os três pavimentos de grandes apartamentos. Os apartamentos térreos são organizados com os espaços de convivência e quartos de frente a um alpendre estreito ao longo das calçadas do jardim e um pavimento que contém banheiros e cozinhas que se unem ao fundo do maior bloco formando pequenos jardins internos. Banheiros, cozinhas e circulação são organizados ao longo da parte traseira dos apartamentos dos dois andares superiores. Espaços de convivência também se abrem frente às sacadas contínuas no lado sudoeste. Duas pequenas casas de dois andares com altos telhados de duas águas são colocadas no jardim em frente as duas entradas principais para o bloco maior.

Estas pequenas áreas contribuem na manutenção residencial do interior do bloco. Trepadeiras crescem num sistema de fios de metal ligados às paredes vazias dos prédios criando uma atmosfera desleixada nas áreas abertas. O bloco de jardins sugerem um alpendre ou varanda ao longo do passeio. As persianas horizontais cobrem completamente as áreas de varanda. Embora haja uma óbvia perda de privacidade ao longo do apartamento térreo, o nível do piso um pouco mais elevado, lhe dá alguma separação em relaçãoà passarela do jardim. As varandas superiores ligeiramente para fora, ondulam levemente suavizando ainda mais os espaços de jardim.

O bloco de 7 pavimentos frente à Rue des Suisses  tem fachadas ondulantes em ambos os lados externo e interno. A fachada curva que pode ser vista ao fim de uma longa rua estreita, torna fácil a transição entre os prédios existentes em cada lado, mas, enfatizam o sistema de venezianas de metal que cobrem as janelas do chão ao teto criando uma superfície contínua semelhante a uma tela. Este sistema é usado em ambas as fachadas, interna e externa e, se tornaram um clássico dos trabalhos de Herzog & De Meuron. Quando fechadas criam uma grade contínua entre as linhas horizontais das extremidades das lajes que são da mesma cor das grades. Essas grandes grades são feitas com painéis perfurados de alumínio corrugado, medindo 412 mm de largura (16″) e 28 mm (1 1/8″) de espessura que são sustentadas por hastes verticais com dobradiças de aço inoxidável e tem acabamento em pintura em tinta de poliéster na cor cinza escuro.

Uma varanda estreita e balaustrada de aço separa o plano de venezianas do chão ao teto da parede do interior do apartamento. Na posição totalmente aberta, as janelas  em grupos de seis painéis que se estendem para frente da superfície da fachada criam  faixas verticais descontínuas que dão uma aparência caótica à fachada e ajudam a criar a impressão de várias camadas compactadas de materiais. Este sistema se estende desde a calçada até o 6 º andar. O piso superior volta a partir do plano da fachada e tem venezianas de metal da mesma cor que reforçam a distinção do sótão.

Rue des Suisses é um bom exemplo de projetos recentes em Paris que focam na reconstrução dos típicos blocos em áreas diferentes da cidade enquanto melhoram a qualidade das residências. Enquanto os apartamentos são tipicamente pequenos, a estratégia de colocá-los em prédios internos e organizar as residências familiares juntas numa área de jardins com acabamentos repletos de detalhes em todos os três prédios são adequados aos altos padrões da RVIP. O sofisticado sistema de venezianas usado aqui combina o uso tradicional das venezianas como forma de controlar luminosidade e promover segurança e privacidade com a necessidade de se adaptar aos conceitos modernistas das paredes de cortinas de vidro dos prédios já existentes. Enquanto a fachada da rua ondula verticalmente num sistema de persianas de metal, o bloco dos jardins tem uma fachada que se ondula em um sistema de persianas horizontais de madeira.Por fim uma fachada de vidro transparente pode ser  uma invasão dura, mas as ondulantes venezianas mantém a superfície da parede, enquanto criam um padrão distinto de aberturas repetitivas, com relação aos edifícios vizinhos.


Malagueira – Complexo habitacional na Évora, em Portugal

Entre 1973 e 1977, Alvaro Siza criou 3 projetos de habitações que juntas formam um período decisivo nos trabalhos iniciais do arquiteto. Dois deles, Bouça e São Victor foram projetos de baixo-custo projetados para a organização SAAL no Porto, o conselho de trabalhadores que se formou para enfrentar os graves condições de habitação que existiam em Portugal após a revolução de 1974. Ambos os projetos foram construídos em locais difíceis no interior do centro do Porto para fornecer habitação adequada e evitar o deslocamento de cidadãos de baixa renda. Malagueira, o terceiro projeto, foi concebido como uma comunidade suburbana nos arredores de Évora, uma antiga cidade romana de cerca de 40.000 anos que era a capital da região do Alentejo, situada a cerca de 100 quilômetros a leste de Lisboa. Bouça e São Victor, são exemplos de construção de enchimento limitado, (40 e 12 unidades respectivamente).
  Malagueira, em comparação, é um grande, baixo, complexo de alta densidade com 1200 residências construídas num período de 20 anos num terreno de 27 hectares entre duas comunidades barrio existentes. Todos os três projetos demonstram um processo de planejamento de construções em condições urbanas densas que Siza caracteriza como “formando um todo com ruínas”. Todos os três são feitos com tipos de habitação semelhantes, nos quais um vocabulário arquitetônico de formas cúbicas esparsas similares são usadas para desenvolver a geometria e ordem repetitiva típica na maioria dos projetos de habitação e, ao mesmo tempo alcançar um elevado grau de variedade arquitetônica.
  Antes de 1973, Siza era conhecido por uma série de pequenas encomendas particulares, incluindo várias casas, o Boca Nova restaurante, o Banco Pinto & Sotto Maior em Oliveira de Azemis, e uma piscina em Leça da Palimeira, uma pequena comunidade ao longo da costa norte do Porto. Estes edifícios apresentam um estilo modernista e mostram claramente a habilidade Siza de interpretar as condições do local, seu uso de formas geométricas primárias, e a atenção dada à seleção de materiais básicos e de detalhamento cuidadoso.
  Os trabalhos de habitação de Siza, especialmente os trabalhos feitos para os Conselhos dos trabalhadores que se formaram após 25 de abril de 1974, foram concebidos sob condições políticas e econômicas muito difíceis num processo muito participativo contencioso que tornou quase impossível para o arquiteto projetar. Certamente o resultados minimalista de Bouça e Victor são são um produto dessa condição, mas eles também são um testemunho de habilidades Siza, utilizando algumas estratégias de projeto básico e elementos para criar um resultado poderoso. A angústia extrema em torno da construção de Bouça e São Victor, que parecem ser parte da história desses dois projetos habitacionais, durou por muitos anos enquanto estes edifícios deterioravam ao longo do tempo, culminando com a demolição de São Victor e, felizmente, a conclusão final do projeto original para a Bouça, em 2007. Foi a experiência destes dois projetos que precedentes que definiram o cenário para Malagueira.
  A Siza foi incumbido o trabalho de Malagueira por causa de sua experiência enterior com Bouça e São Victor. As condições habitacionais em Portugal estavam terríveis e A cidade de Évora queria construir um novo residencial na paisagem oeste da velha cidade, junto à estrada para Lisboa. O trabalho de Évora era bem diferente dos do Porto e a ideia era construir uma comunidade satélite completa que seria de propriedade dos residentes numa organização cooperativa. Siza objetivava o título de “moradia social” justificando que toda moradia é social mas sem a pressão nacional para construção de novas casas, Malagueira não foi pensada como uma instalação típica de habitação social subsidiada. A terra foi expropriada para uma nova comunidade planejada para cerca de 1200 habitações.
  Duas comunidades existentes, Santa Maria e Nossa Senhora da Glória, tinham crescido ao longo de uma das estradas radiais que levam para fora da cidade, criando um eixo leste-oeste. Um fluxo sinuoso correndo em uma direção norte-sul em geral, deste lado da cidade, passou entre as duas aldeias e este espaço foi o local para a nova comunidade. Outros vestígios da antiga ocupação dessa área incluído os restos de um banho árabe, um tanque de água, alguns sobreiros, uma escola, dois velhos moinhos de vento, e a antiga residência de Malagueirinha com um laranjal adjacentes. Um sistema de caminhos haviam se desenvolvido ao longo do tempo como as pessoas andavam para destinos diferentes nesta paisagem entre as aldeias para fazer compras, pegar água, ou fazer a caminhada de 35 minutos do centro de Évora no topo da colina.
  A organização de Santa Maria foi o modelo para o layout do novo bairro formando um novo padrão de ruas  menores numa grade de linhas paralelas de ruas e vielas e casas com quintais fundo-a-fundo (back-to-back patio houses). O maior desses grupos se estende ao longo da borda norte de Santa Maria formando uma zona longa e estreita para abrir espaços públicos ao longo do córrego. Outros fragmentos menores da rede foram situados às extremidades do bairro original, ampliando o perímetro da vila. Outros grupos ainda foram instalados em diferentes ângulos formando vários bairros separados respondendo aos alinhamentos sugeridos pela paisagem. Os espaços entre os bairros sinuosos fazem parte dos espaços públicos abertos que se seguiram a caminhos pré-existentes e outras características da paisagem. Estas áreas construídas entre grupos regulares de casas são usadas para usos da comunidade, comércio, estacionamento, recreação e circulação de pedestres.
  Um sistema de aquedutos de concreto levantados conecta os residenciais juntos e fornece a infra-estrutura para distribuição de água e energia elétrica. Aquedutos eram uma característica da época romana e, posteriormente, da Renascença e restos de estes ainda são visíveis em Évora. Isto estabeleceu um precedente para um sistema de aquedutos para ser usado para distribuir água na nova comunidade. Levantados os canais feitos de blocos de concreto exposto que são apoiados em colunas formando uma estrutura contínua que liga os bairros ao mesmo tempo de serviço de cada casa no interior dos aglomerados bairro. O sistema de aquedutos foi justificado com base no custo, mas também funciona como um dispositivo de planejamento de larga escala que liga os bairros e forma as galerias públicas definindo entradas para grupos de lojas e outras instalações públicas. Por ser construído à altura do telhado do segundo andar e deixado como concreto inacabado, proporciona alívio visual e formal às implacáveis e repetitiva paredes brancas das residências.
  As dimensões da Malagueira são muito maiores do que os anteriores do Porto, mas a base de moradias de 2 andares são semelhantes. Em Bouça, 2 andares são combinados fundo-a-fundo em edifícios de quatro andares com uma galeria de acesso. As de Malagueira, apesar de serem de apenas 2 andares, compartilham um conceito similar de seção fundo-a-fundo, com cada um de frente para rua. Em São Victor, em um espaço muito menor, as casas de 2 pisos foram usados ​​em uma linha articulada de residencias individuais com alguns espaços exteriores de frente e fundos.
  As casas de Malagueira estão em pátio ou átrio tipos com formato de “L” de conjunto de salas em dois lados de um pátio interior pequeno. Existem dois tipos semelhantes, ambas construídas em um terreno de 8m x 12m, um com o pátio na frente e outra com o pátio na parte traseira. Ambos têm salão, cozinha e espaços ao nível térreo com uma escada interior levando a quartos e terraços acima. Os dois tipos podem ser combinados de várias maneiras diferentes, resultando em diferentes padrões de sólido e vazio. Esta manipulação das combinações de pares é a chave para o ritmo concatenado rico que é conseguido com apenas dois tipos de habitação. A altura das paredes é variada com relação à altura portão de entrada, à altura do segundo andar para uma parede de ventilação que é perpendicular à rua e se estende até a altura do telhado do segundo andar. Esta gama de alturas juntamente com a posição alternada dos pátios e terraços resultados em uma composição tridimensional rica. A construção segue a topografia ao longo da rua que lhe acrescenta à variedade de composição. Vistas de longe, as casas parecem ser mais altas do que apenas 2 pavimentos com os contornos dando a impressão de uma construção muito mais densa, mais alta com o terraço. A gama limitada de portas e janela também variam em altura seus contornos promovem a organização concatenada das paredes. As casas são projetados para serem adicionados ao longo do tempo pelos ocupantes para que eles possam começar como uma casa simples de dois quartos construído em um nível que pode ser transformado em uma casa muito maior com vários quartos, banheiros múltiplos, e terraços. A qualidade incompleta das casas evoluindo dentro do volume paredes ajuda a quebrar a repetição estrita típico de habitação de custos mais baixos.
  Muitas comparações têm sido feitas entre o projeto Siza e as siedlungen holandesas e alemãs dos anos 1920 e alguns dos trabalhos de Adolf Loos. O uso de coberturas planas, paredes exteriores brancas de gesso, a aplicação esparsa de janelas e portas e a ausência de decoração são todas características semelhantes compartilhadas. São Victor poderia ser visto como uma versão de casas da linha Weissenhof que foram inseridos em um local quase impossível. Malagueira pode ser visto como unidades Weisenhoff frente para a rua em cada lado e apoiados uns aos outros em fileiras repetitivas. As linhas paralelas de apartamentos com as extremidades arredondadas comerciais em Bouça tem semelhanças com Kiefhoek embora Bouça seja mais alta com 4 andares, tipo galeria. Bouça pode ter semelhanças com as lajes de Mart Stam, mas as qualidades das camadas da seção a utilização de paredes coloridas nos pisos superiores, terraços superiores e a montagem cuidadosa do edifício para o espaço são qualidades muito diferentes da tipologia zeilenbau como o usado por Stam, e outros. As casas anteriores de Loos e seu projeto para 20 casas geminadas compartilham muitcaracterísticas da Malagueira, mas esse projeto não construído foi uma proposta de 4 andares, com acesso em lajes. Outras sugestões foram feitas dizendo que Malagueira foi derivada de características vernaculares e racionalistas Portuguesas. Siza, no entanto, sentia que sua arquitetura crescia a partir do contexto e das condições econômicas e técnicas da época.
  Ao contrário do trabalho de Porto, Malagueira envelheceu bem ao longo dos 30 anos de sua ocupação. Bouça foi concluída e restaurada e é o produto de um modelo diferente de residencial. Malaguiera foi financiado e mantido pela cidade de Évora, e os moradores estavam vivendo no local, sob uma combinação de propriedade particular e cooperativo e aluguel, os edifícios têm sido bem mantidos, e na maioria das vezes, aparentam praticamente como quando foram construídos. Das 1.100 residências que havia sido construído em 1977, 60% eram cooperativas, 35% de aluguel e 5% de propriedades privadas. Um financiamento foi organizado de modo que as casas pudessem ser de propriedade dos residentes após 25 anos. Também foram controlados os preços de revenda para limitar a especulação e o sub-arrendamento não era permitido. Essas regras contribuíram para limitar as modificações no edifício original e contribuíram para uma sensação de bem-estar e um nível elevado de manutenção.
  Há alguns exemplos do tipo de “vernacularização” que inevitavelmente se passam num projeto habitacional grande como este, especialmente onde a maior parte dos ocupantes é proprietário. Os ‘wainscots’ pintados e o acabamento pintado em torno das portas e janelas em algumas casas (são uma aparente tentativa de capturar o ambiente da construção vernácula do Alentejo), a aplicação de acessórios como persianas, grades de portas, ar-condicionado (o sinal afluência de propriedade), fiação elétrica aleatória, acrescentando luzes de rua, janelas adaptadas e os mandris e treliças que são construídas nos terraços e telhados são todos os sinais de ocupação do proprietário, mas são limitados e não têm prejudicado seriamente a qualidade geral e a manutenção da Malagueira. O graffiti que poderia ter sido tentador com todas estas paredes brancas, e que são bastante típico da maioria das habitações de baixa renda, parecem estar completamente ausentes aqui.
 O problema mais evidente com Malalgueira é o desenvolvimento e a utilização dos espaços intersticiais. O contraste entre a organização altamente estruturada de ruas e casas e da paisagem mais pastoral do caminho sinuoso do rio é um conceito sedutor, mas em seu estado inacabado tendem a parcer apenas como espaço de sobra. Alguns dos elementos que foram construídos nesta paisagem, a lagoa, o teatro aberto, a barragem na rua, e o a frente das lojas e o aqueduto são óbvios na zona intersticial, mas são elementos que não parece ser poderosos o suficiente para conectar paisagem à construção. A maldição do projeto habitacional suburbano tem sido sempre que é tantas vezes desvinculados das necessidades de compras diárias; residentes Malalgueira ainda parecem destinados a transportar sacos de supermercado em longas caminhadas ao longo dos caminhos originais conectando lugares na paisagem alentejana.

cmpct house

O projeto da Compact House é baseado em ergonomia básica com medidas mínimas para habitação individual. O espaço prevê recepção de visitantes do morador. A disposição dos ambientes seguiu a lógica de duas condicionantes: um de facilitação do sistema hidráulico, com a distribuição de seus ambientes em uma única fachada; o outro com a junção de múltiplas funções em um mesmo mobiliário. Este, dobrável, pode ser adaptado para funcionar como sofá, cama e até mesmo para armazenar objetos, como os assentos para utilização com a mesa quando há realização de refeições. A mesa só ocupa espaço na casa no momento de sua necessária utilização, assim com também a cama. Isso porque, no caso da mesa, ela se dispõe encostada na parede enquanto não é utilizada. Já a cama é “guardada” no espaço embaixo do escritório (este, a menos de um metro acima do piso dos demais ambientes da casa). A criação desse vão tem exatamente o propósito de permitir esse mecanismo de otimização dos espaços, evitando um certo “desperdício de espaço” quando da não utilização do mesmo. Essas decisões, fundamentais para a obtenção de uma unidade mínima, foram facilitadas por se tratar de uma residência para apenas um habitante. Isso significa que muito dificilmente seria desenvolvida mais de uma atividade ao mesmo tempo, o que permite a utilização de um mesmo espaço para atividades diversas.

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